05-1940

Pesquisadores, estudantes, universidades e entidades como o Memorial Penha de França estão empenhados em buscar soluções para o patrimônio histórico e cultural da região. A partir de uma parceria com a Câmara Municipal, foi realizado dois seminários no Centro Cultural da Penha que resultou em vários grupos de trabalho que estão se reunindo no Memorial Penha de França estudando propostas para a elaboração de um projeto que será entregue ao prefeito da cidade até o final do ano.

Uma surpresa agradável está no fato de que a grande maioria dos participantes são jovens. O que antes parecia ser uma ocupação de “velhos saudosistas”, uma geração nova vem trazendo propostas muito mais realistas do que a antiga preocupação com tombamento. Afinal, o tombamento não tem trazido nenhum resultado prático. Não preserva e nem garante nada.

A realidade hoje é que, se não houver interesse do poder econômico na preservação do patrimônio, se nenhum bem for no mínimo autossustentável, não há motivo para preservar apenas para enfeitar a cidade com prejuízos aos proprietários ou à economia pública. Um bem tombado e abandonado deixa de ter seu papel de contar história e preservar a memória.

O que estes grupos de trabalho estão empenhados é buscar alternativas para despertar o interesse econômico no patrimônio histórico e cultural da região, aproveitá-los de forma racional, e se não lucrativa, pelo menos que se sustente e se auto preserve.

Temos o exemplo da concentração de poder econômico da Rua XV de Novembro no centro de São Paulo, onde grandes corporações fizeram opção em se estabelecer nos edifícios antigos daquela rua. A preservação daquele patrimônio se dá simplesmente pelo interesse dos ocupantes dos imóveis em preservar com requinte e estilo a atmosfera do art-decò. Temos outros exemplos como o Conjunto Nacional da Paulista, o Teatro Municipal e a Estação Júlio Prestes. Recentemente, o fenômeno Cine Belas Artes. Contrariando a opinião de muitos, as salas estão cheias, possibilitando que o patrimônio seja sustentado por ele mesmo.

A região leste da cidade de São Paulo também possui um rico patrimônio que poderia atrair empresas, universidades, atividades culturais e de lazer. A ocupação deste patrimônio com viabilidade econômica estaria de acordo com o novo Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade que tenta entre outras coisas, equilibrar o desenvolvimento socioeconômico de São Paulo, e para tanto, criar trabalho nas regiões que apresentam maior concentração de moradia. Este é o caso da região leste, que não para de crescer em moradias, acarretando uma grande quantidade de pessoas que precisam de mover de casa para o trabalho congestionando o trânsito e os transportes públicos.

Um exemplo atual está acontecendo na Penha. O Procuradoria Geral do Estado instalada na Pça. N. Sra. da Penha (IMAGEM ACIMA de 1940) está restaurando o edifício ocupado. Nada de despesas com novo prédio, e sim ocupar o patrimônio existente sem que falte a modernidade necessária para computadores e os equipamentos dos dias de hoje. A leitura da sua fachada que conta uma história estará preservada para as gerações futuras sem prejuízo para ninguém

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